Há 11 dias, 19 anos.
19 de junho de 2026
Hoje, enquanto estacionava o carro diante de um comércio, vi uma cena inusitada. Vestida com uma camiseta verde e amarela, uma moça caminhava rápido pela calçada, como quem devia ter um encontro com o relógio de ponto. Ela tinha uma expressão séria e carregava num ombro, a bolsa; no outro, uma caixa de som tipo JBL.
Ela parou diante da porta de um salão de beleza, respirou fundo, ligou a caixa no máximo e entrou esfuziante, ao som de “Descobridor dos sete mares”, enquanto brincava com as colegas de trabalho que estavam lá dentro.
Fiquei pensando nela enquanto encarava o teclado do computador. Havia dias que eu me lembrava de um fato e não me animava a registrá-lo por aqui: o aniversário deste blog, no dia 8 de junho. Mas será que isso valeria um post comemorativo? Que idade sem graça: não é redonda, como 20, nem cheia de significados, como 18. 19 anos. Fuén.
Então me lembrei da moça que vi mais cedo. Que tomou fôlego na entrada do trabalho e acionou o modo “festa”. E fiquei pensando que a gente precisa fazer como ela mais vezes na vida.
Não sei como é com vocês, mas minha vida não é feita de conquistas grandiosas. Meus dias se parecem uns com os outros – cada um com sua cota de perrengues e chatices. Mas as pequenas vitórias também existem. E se não as celebramos, como é que a gente fica?
Estou lendo “Carcereiros”, do Dr. Dráuzio Varella, e nele há um personagem, seu Araújo, que diz, sobre a comemoração de seu aniversário: “sabendo levar, a vida é uma festa maravilhosa”. Mais adiante, ele reflete: “o problema é que essa juventude quer tudo de uma vez. Ainda não aprendeu que a felicidade exige paciência”.
Cada um do seu jeito, seu Araújo e a moça da caixa de som me mostraram que completar mais um ano é, sim, motivo para comemorar. E que, às vezes, a gente não precisa esperar a inspiração vir ou o momento grandioso aparecer. Tem que respirar fundo, ligar a JBL e celebrar.